Há pessoas que aprendem, ao longo da vida, a observar cuidadosamente a maneira como falam, gesticulam ou respondem às situações sociais. Para alguns adultos autistas, esse esforço pode se tornar tão habitual que quase deixa de ser percebido.
O que significa mascaramento autista?
Mascaramento, ou masking, é um termo utilizado para descrever tentativas de esconder, modificar ou controlar características e reações pessoais em busca de adaptação social. Isso pode envolver ensaiar conversas, monitorar expressões faciais, evitar determinados movimentos ou agir de uma maneira que parece ser esperada pelos outros.
Nem toda adaptação social é, por si só, prejudicial. A questão aparece quando há necessidade constante de sustentar um papel, mesmo em situações que deveriam permitir espontaneidade e descanso.
Quando a adaptação se transforma em desgaste
Em algumas experiências, o mascaramento está relacionado a cansaço depois das interações, sentimento de inadequação e dificuldade para identificar o que a própria pessoa deseja ou necessita. Pode surgir também a sensação de que os outros conhecem apenas uma versão construída para ser aceita.
O impacto varia de pessoa para pessoa. Não existe um único jeito de vivenciar o autismo, e nem todas as pessoas autistas recorrem ao mascaramento da mesma forma.
Reconhecer a própria necessidade de descanso
Perceber quais situações exigem mais energia pode ser um primeiro exercício de observação. Às vezes, isso significa reconhecer a necessidade de pausas, rever expectativas sociais ou identificar relações nas quais há maior liberdade de expressão.
Não se trata de exigir que alguém deixe imediatamente de se adaptar. Em determinados contextos, adaptações foram aprendidas como maneiras de buscar proteção e pertencimento. O caminho de compreensão pode ser gradual e precisa considerar a realidade de cada pessoa.
Como a psicoterapia pode contribuir?
Na psicoterapia psicanalítica, o foco não é corrigir comportamentos nem ensinar uma forma ideal de socializar. A proposta é construir um espaço de escuta para que a pessoa possa falar de sua história, dos conflitos e das experiências de sofrimento sem a obrigação de representar um papel.
Quando há sofrimento relacionado ao mascaramento, o processo pode favorecer perguntas importantes: quando essa necessidade de adaptação começou? Em quais relações ela aparece? O que tem sido difícil reconhecer ou comunicar sobre si?
O objetivo não é estabelecer respostas prontas, mas respeitar a singularidade e permitir que a pessoa explore suas próprias possibilidades de estar no mundo.